O cosmos e o menino

Sei de poucas coisas nesta vida. Uma delas comprovei cientificamente: meu quarto não se arruma sozinho. Tentei não recolher as roupas sujas, ignorar a poeira e acreditar que o lençol da cama se esticaria por conta própria. Nada.

Curioso: com o universo, que é um pouco mais complexo do que o meu quarto, aconteceu o contrário – o que só pode se explicar pela intervenção de uma força racional.

O Big Bang espalhou os cacos da matéria-prima por aí. Esses pedaços tendem a se separar, e cada vez mais rápido, dizem os especialistas na coisa. Pois bem. Corta-se a cena na explosão primordial. Quatorze bilhões de anos depois, cá estamos: nós, com nossos computadores,  foguetes e os dribles do Maicosuel. Uma força vital sustenta micróbios, tamanduás, rinocerontes e até mesmo espécimes como a senhora Dilma Rousseff. As leis da física, universais, valem aqui ou nos confins do cosmos.

Disso surgem três conclusões imediatas:

1) O universo é mantido por uma ordem lógica, racional. O complexo ordenamento daquilo que eram apenas partículas rebeldes, que tendiam à dispersão aleatória, não se encaixa nas leis da termodinâmica e só faz sentido em um sistema gerido por uma racionalidade externa à natureza – sobrenatural, portanto.

2) Essa força superior não dá muita bola para o meu quarto.

3) Irracional é apostar que o nada, combinado aleatoriamente com outra porção do nada, gerou um universo infinito, formas de vida complexas e regras universais da física que mantêm tudo isso funcionando articulado por um delicado equilíbrio. Ao contrário do que o materialismo raso quer que acreditemos, a aposta do teísmo é a aposta na racionalidade.

O Cristianismo dá ainda um passo adiante.

Uma ordem universal tão magnífica, tão insondável, se materializou na Terra na figura frágil de um menino pobre, por deliberação de uma divindade onipotente que amou a sua criação a ponto de oferecer a ela uma correção de rumos, uma expiação do mal que, desviando-se do propósito original, a humanidade havia perpetrado.


É notória a superioridade do Cristianismo como fonte de inspiração para a música e a literatura. A beleza da história de Jesus não se compara à de Maomé, um pedófilo assassino, ou a de Buda, uma espécie de Paulo Coelho do Japão imperial Nepal agrícola. Há quem se contente com isso: o Ocidente foi mais longe porque tem em Cristo seus marcos civilizacionais.

Mas a história da divindade onipotente que se faz homem só merece ser lembrada por um motivo: ela é verdadeira. É tão real que, dos apóstolos de Cristo, só João morreu naturalmente: martirizados, os outros entregaram a própria vida para propagar a poderosíssima mensagem trazida pelo Salvador.

O 25 de dezembro não é tempo de pedir. É tempo de ser grato a Deus pela Sua misericórdia infinita.

Feliz Natal.

10 respostas a O cosmos e o menino

  1. Feliz Natal, amigo!

    Como um peru pagão e celebro a beleza da vida, tenha ela sido obra de um arquiteto ou não.

  2. Caro Amigo,
    descobri seu blog por acaso….vc tem ideias muito interessantes, mas nao concordo com uma visao um pouco radical da religiao. Há muitos exemplos bons no Islã (me refiro a um post seu mais antigo). O cristianismo é lindo sim, a dualidade de Cristo tem muito poder…
    Mas uma curiosidade: Qual a sua religiao (especificamente) já que vc nao é catolico?

    abs!

  3. “3) Irracional é apostar que o nada, combinado aleatoriamente com outra porção do nada, gerou um universo infinito, formas de vida complexas e regras universais da física que mantêm tudo isso funcionando articulado por um delicado equilíbrio. Ao contrário do que o materialismo raso quer que acreditemos, a aposta do teísmo é a aposta na racionalidade.”

    Creio que aqui houve uma representação equivocada do que descrevem as teorias científicas sobre o assunto. Até onde se sabe, a entropia total do universo continua aumentando, assim como a do seu quarto. Também as noções de que o universo surgiu do nada e de que se encontra em delicado equilíbrio não são as mais aceitas no meio científico, o próprio conceito de equilíbrio é discutível. Já as leis da física são aproximações e descrições feitas por humanos, portanto são incompletas, apesar de estarem em constante estado de aperfeiçoamento. O assunto é bastante extenso e não pretendo me aprofundar aqui.

    • Não me expressei em termos científicos – sob esta ótica, a minha analogia estaria errada simplesmente porque o meu quarto também faz parte do universo. Mas mantenho o argumento. Não tenho notícias de que a ideia do “ajuste fino” do universo tenha sido superada. E se o universo não surgiu do nada, ele precisa de uma causa externa, o que conduz a discussão ao teísmo.

  4. “a de Buda, uma espécie de Paulo Coelho do Japão imperial”

    Essa foi a coisa mais cretina que já li alguém escrever sobre o Buda. Detalhe, amigão: Buda nasceu e pregou na Índia, séculos antes de existir um “Japão imperial”.

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